sábado, 19 de junho de 2010

Avaliação escolar de crianças com deficiência intelectual

A avaliação escolar de crianças com deficiência intelectual, como toda avaliação, é algo que requer muito conhecimento teórico e rigor conceitual, para não cairmmos em práticas excludentes. Sugiro-lhes, por isso, a leitura do artigo que eu e a Profª Doracina escrevemos sobre o assunto, pensando nas dificuldades dos professores. Acesse o link e confira http://www.uems.br/seminarioemeducacao/anais/06.Giovani.pdf

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Resumo do texto (tuleski, 2008)

Pessoal, este é um resumo do texto que estamos vendo (encontros dos dia 14/06 e 28/06/10), usado por mim na apresentação da temática. Vocês podem usá-lo como um recurso para entender melhor as ideias do texto e mesmo para responder a atividade prática, no caso de não conseguirem adquir a apostila. Boa leitura!!!
Vigotski propõe a superação do determinismo biológico em Psicologia, demonstrando que o desenvolvimento humano segue um percurso evolutivo de natureza histórico-cultural.

Nesse sentido, seus estudos buscam entender o comportamento dos animais, para diferenciá-lo das formas de conduta tipicamente humanas.

A consciência humana forma-se a partir da prática social, tendo em vista as relações de produção (capitalismo x comunismo).

A Psicologia de Vigotski de ser interpretada como resposta às necessidades das sociedades russa e soviética, no período contraditório dos anos pós-revolucionários.

O uso de instrumentos e signos na atividade laboral, como forma de domínio sobre a natureza e sobre si mesmos, diferencia os homens dos macacos (transformação do meio e adaptação ao meio).

A linguagem racional, enquanto sistema simbólico, aparece da necessidade de comunicação entre os homens, no processo de trabalho, tornando-se então um fator básico de distinção entre homem e animal e o mecanismo capaz de transformar o pensamento prático em verbal.

A comparação entre o homem moderno e o homem “primitivo” evidencia a historicidade das funções psicológicas humanas, que não são dadas a priori, nem são produto de mera evolução quantitativa, mas estão associadas à forma como cada ser humano se relaciona em sociedade.

No homem “primitivo”, predominam as funções naturais, vinculadas às possibilidades biológicas; no homem moderno, prevalecem as funções culturais, baseadas no uso de dispositivos mnemotécnicos.

“O acesso de todos aos bens culturais (instrumentos e signos) impulsionaria o desenvolvimento de todos os indivíduos em sociedade” (TULESKI, 2008, p. 130).

Assim, fica claro que a evolução humana não depende apenas das leis biológicas, mas, sobretudo, das leis sócio-históricas.

O mecanismo capaz de produzir tal evolução é a transmissão, de geração em geração, das aquisições e conquistas humanas, tanto no âmbito da cultura material quanto intelectual.

12)Vigotski enfatiza que o comportamento humano é mediado e regulado por signos (linguagem, as estratégias de memorização, a magia, o sistema numérico e alfabético, o desenho, etc.).

O desenvolvimento de cada indivíduo está condicionado à apropriação desses signos e demais instrumentos culturais. Leia a citação de Leontiev, na página 133.

14)Na página 133, leia o último parágrafo, que termina na página 134.

A auto-regulação e a auto-disciplina do comportamento humano não podem ser fruto de mera coerção externa, mas devem resultar do engajamento do indivíduo num projeto coletivo, do qual participa como sujeito consciente e se apropria de novos objetivos/valores, abandonando atitudes egoístas.
“Se os homens são capazes de revolucionar a sociedade, sua forma de organização, as relações sociais ligadas à produção de suas próprias vidas, são capazes de revolucionar, de transformar sua própria natureza, podem desejar algo diferente do que são e concretizar tal desejo” (TULESKI, 2008, p.137).

Vigotski interessa-se, nesse contexto revolucionário, em estudar a criança, para então compreender a própria natureza humana e suas possibilidades de transformação a partir do coletivo.

Sua preocupação com o desenvolvimento individual leva-o, assim, a interessar-se pelo estudo da filogênese e ontogênese humanas.

A ontogênese não repete a filogênese, pois a criança já nasce num ambiente cultural, humanizado, repleto de mediações sociais, instrumentos, signos e pessoas, que direcionam seu desenvolvimento.

20) A escola deve promover o desenvolvimento das funções psicológicas superiores na criança (memória lógica, atenção voluntária, abstração, linguagem racional, pensamento verbal, auto-regulação, etc.).

A aquisição da linguagem e seus significados redimensionam as demais funções psíquicas, proporcionando a superação qualitativa dos fatores biológicos existentes em cada função psicológica.

A apropriação ou internalização das funções psíquicas superiores depende sempre da comunicação/interação da criança com outras pessoas, bem como das necessidades que a vida coletiva lhe impõe. Por isso, a psique é uma construção histórico-social, antes de ser um produto da biologia.

23) Interagindo com outros indivíduos, a criança aprende, assim, a regular seu próprio comportamento, utilizando com relação a si mesma as formas de conduta que os adultos utilizavam com ela (p. 158-159).
24) A educação coloca-se como essencial para a formação do novo homem comunista (alteração da consciência burguesa) e para a transmissão do conhecimento humano historicamente produzido e acumulado. Para tanto, a pedagogia precisa recorrer à Psicologia, que nortearia a práxis do educador.

25) A educação escolar não pode se deter nas funções elementares ou orgânicas das crianças, mas fazê-las avançar em seu desenvolvimento cognitivo, com a transição dos conceitos espontâneos aos científicos.
“A instrução é válida se precede o desenvolvimento”. Agora, leia o primeiro parágrafo da página 173, inclusive a citação de Vigotski, para entendermos essa frase.

27. Na educação das pessoas com deficiência, torna-se necessário criar vias colaterais (compensação), a fim de substituir as perdas biológicas e permitir o desenvolvimento das funções mentais superiores.

Vigotski, almejando que todos os indivíduos participassem do coletivo, propôs um novo papel à escola especial soviética: em vez de se adaptar à deficiência, ela deveria buscar diferentes recursos/métodos para superar as limitações individuais, preservando os mesmos objetivos da Educação Geral (comum).

O autor busca, assim, romper com a visão organicista e assistencialista da deficiência, sob o enfoque da Educação Social e Laboral, que proporcionaria às pessoas com e sem deficiência a participação na sociedade, a apropriação das funções psicológicas superiores e a objetivação de suas habilidades.

30. A teoria de Vigotski enfatiza, portanto, a apropriação, pelo homem, dos signos e das funções psicológicas superiores, que, por sua vez, obedecem à lei da internalização. Essa apropriação deve ser mediada pela escola, pelo trabalho coletivo e pelas relações sociais que os homens estabelecem entre si, a tal ponto que o fator biológico ou as deficiências orgânicas vão sendo superados e cada indivíduo torna-se dono das aquisições da cultura humana (material e intelectual), bem como capaz de controlar e conhecer seu próprio comportamento. “Vê-se agora a importância da educação como edificadora, como dirigente do processo de desenvolvimento de todos os indivíduos em sociedade, capaz de efetivar o homem comunista em sua plenitude” (TULESKI, 2008, p. 185).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Memórias da Inclusão: entrecuzando passado e presente para fazermos um caminho diferente"....

Eu me lembro bem...

Há cerca de catorze anos (não é tanto tempo assim, né?!), eu estava iniciando a primeira série do Ensino Fundamental, ansioso para estrear minha cartilha, a "Nova Geração", e conhecer a nova turma. Uma alegria: não era mais um pré-escolar e sim um "escolar". Um desespero:Tinha até medo do que essa passagem poderia significar, com a chegada das notas, das provas, das responsabilidades e ainda o dever de cumprir o horário todinho, quietinho na carteira, ouvindo a professora...
Assim, num misto de contentamento e ansiedade eu me preparava para enfrentar a nova etapa de minha vida, tão curta até aquele momento. Junto comigo, na sala de aula, imagino que os demais enfrentavam os mesmos temores e as mesmas felicidades. Sabem como é felicidade de criança: parece xarope, pois é doce e amarga, às vezes. Mas, não me lembro muito bem daqueles colegas, a não ser do Carlinhos (seu nome verdadeiro não era esse, evidentemente). Carlinhos, além de colega de classe, era meu vizinho, nas redondezas gostosas do nosso subúrbio. Sabem como os subúrbios são poéticos e mágicos, não sabem?! Pois bem, o Carlinhos vivia nessa porção de mundo que nem eu, mas ele era "diferente"(não se esqueçam que pus aspas!!)...Aliás, sua família quase toda era diferente. Eu não entendia bem nem como, nem por que, mas erm e ponto final. Ningúem explicava muita coisa para criaça naqueles idos...(olha que nem sou velho). Lembro da minha mãe, uma senhora muita versada nas coisa da educação, embora tendo apenas a 4 ª série, comentando sobre como seria o fututo do Carlinhos na escola, reproduzindo as angústias da nossa professora. Recordo-me que ela dizia, como era voz corrente, que o tal menino tinha "problemas de cabeça"e dificilmente se alfabetizaria, mas a professora ia tentar. Se ele conseguisse, bem, senão, amém (como falavam os mais velhos que frequentavam a minha casa e eu ficava escutando, agraciado com a singeleza da rima). Acho que era aquela época em que diziam que o aluno com deficiência podia ser matriculado e permanecer na sala regular sempre que possível, sempre que conseguisse se adaptar...
E o Carlinhos começou a 1 série, com seu jeito peculiar, que estranhávamos ou ignorávamos, ou ríamos...Ah! Quando somos crianças, quem pode conosco? Nem o diabo, diria meu tio, prolongado a sua fala com sotaque alagoano, acentuantuando bem o D para meu delírio, como admiraor das variantes do Lácio...Mas voltemos ao Carlinhos, posto que tenho que apressar-me e conter as digressões. Na sala de aula, o Carlinhos tentava e tentava escrever, e....Não escrevia nada, ou melhor, desenhava minhocas, rindo-se muito, aproveitando as saídas da professora para levantar-se da carteira (uma ousadia na época) e rir à larga, jogar-se no chão e esticar mais ainda os rabiscos...A professora, brava, acabava num ato com sua alegria, tão logo retoranava. Carrancuda ou preocupada conosco? Nao saberia dizer, talvez nem ela, acostumada a ser assim e esquecida de si mesma, definida PELO termo vago de professora. E só. Uma tristeza de dá dó! De novo, uma digressão. Há de ser um vício de cronistas e memorialistas...Esqueçamo-lo, porque preciso contar não de mim, nem dela, a professora, mas dele, O CARLINHOS, gente, que nem sei onde está agora..Pois bem, não deu outra (não é possível, estou apaixonado pela oralidade!), a professora não esperou muito e deu sua sentença, apoiada pela coordenadora, o diretor e outros pais: o destino de Carlinhos era a sala especial, uma salinha pequena e sufocante que nós víamos de longe, na mesma escola, com receio de entrar (talvez porque quem ia não voltava mais!!!, com o perdão do gracejo). Ele foi. Não me recordo se triste, se alegre, mas foi...Pior, mais tarde, mandaram-no embora de vez: foi para a APAE. "Era o melhor a fazer", diziam algumas vozes, que fossem talvez o consciente coletivo, fingindo um pesar mal dissimulado. "Não aprenderia mesmo"..."A família toda, coitado"..."Tem problema grave de cabeça e não entede as letras..."Lá é o lugar certo, a escola tem os outros..."
Isso eu trouxe comigo até hoje, quero dizer, a lembrança triste e inquietante dessas frases. Pergunto-me sempre sobre como seria seu futuro se ele tivesse ficado conosco ou, mais acertadamnte, como seria nosso futuro se o Carlinhos tivesse ficado e se tornado nosso amigo...Seríamos mehores, aposto...Penso ainda na professora, que nada fez por ele, esperou passar o tempo e constatou o óbvio. Foi expectadora de um drama, não propôs alteração no roteiro e seguiu até o fim sua encenação...È, professores tem horror ao improviso...Somente os poetas e cronistas amam o improviso, fazendo deles a metonímia da vida...No entanto, não a condeno, nem critico (por certo, aqui se nota uma dose de afeto que me restou dela ainda, legado do coração pequenino de escolar)...Talvez ela não soubesse agir diferente, não conhecia outras peças, não conhecia a si mesma, estava só...Como fazer diferente? Era mais fácil transplantar esse adjetivo ambíguo-diferente-para o Carlinhos....Ficou assim, então....Eu ia para a escola todo dia, enquanto perto dali eu via o Carlinhos, esperando o ônibus para levá-lo à APAE..., com uma angústia fraquinha me apertando o peito. Peito de menino é tão pequeno e frágil. O do Carlinhos então?!!...................................
Lembrando-me disso agora, quando se passaram os anos e a vida me fez estudioso da educação, dando lá suas armações, e com o peso (ou a libertação?!) da maturidade, não posso deixar de sentir uma grande tristeza pelo Carlinhos que não conheci de fato, que vi de passagem. Mas também não posso negar uma certa alegria, a alegria de saber que Carlinhos se faz presente em cada palavra que falo, em cada esforço que faço pela inclusão escolar, para que os novos Carlinhos vivam melhor, aprendam mais e nos ensinem também...Acho que assim vou me perdoando, vou conhecendo o Carlinhos, vou tornando o menino da 1ª série um homem, um homem "diferente", aproveitando o toda a riqueza polissêmica dessa palavra, com a qual encerro minhas reflexões, deixando o passado para voltar á luta incessante a que me chama, voraz, o presente....
Com todo o carinho do mundo
Giovani Ferreira Bezerra

Fotos do segundo encontro





































Cronograma e Atividade Prática

Envio-lhes aqui a tabela COM O NOVO CRONOGRAMA do nosso Projeto. O próximo encontro será dia 28 de junho. Depois, voltamos só em agosto... No encontro do dia 28/06/10, das 17:30 às 19:ooh, concluiremos o texto que está em andamento. Vou comentar mais sobre a metodologia que utilizei, propor alguns ajustes e discutiremos as dúvidas. Comunico-lhes também que já está no XEROX DA UEMS a nossa atividade prática, referente ao texto já mencionado. Esta atividade deverá ser entregue no primeiro encontro de agosto, portanto, no dia 02/08/10. Também, como atividade prática, proponho ainda a elaboração individual de um texto memorialista (uma memória) sobre o que cada um vivenciou (na infância, na escola, na adolescência, na sociedade, na família, no trabalho, se já trabalhou na educação especial, se tinha vizinho com deficiência, como era, etc.) a respeito da inclusão/exclusão de pessoas com deficiência, especialmente no caso da deficiência intelectual, ressaltando suas reações, seus medos, suas expectativas, enfim, lembrando como era sua relação com essas pessoas ou apenas contando o que você ouvia sobre o assunto e como se sentia em relação ao que escutava...A memória também será obrigatoriamente para 02/08/10, ou seja, para o 1º encontro de agosto. O texto deve conter de 15 a 30 linhas apenas, com começo/meio/fim, escrito na 1ª pessoa do discurso (eu), em tom subjetivo, evocando fatos do passado, obecendo um percurso textual narrativo (pode ser manuscrito). Cada pessoa colocará seu nome completo na atividade e e-mail, se houver, criando necessariamente um pseudônimo (nome falso ou artístico). Por exemplo: giovani ferreira bezerra (Juan Pérez ou Gil Férrer, etc...), porque as memórias serão postadas no meu blog ( e com o pseudônimo ninguém saberá quem as escreveu). Com as memórias, quero iniciar alguns estudos sobre as narrativas dos sujeitos universitários e professores sobre as representações e concepções sobre a pessoa com deficiência, resgatando aspectos históricos individuais e coletivos, bem como análise do discurso. No blog, teremos a coluna Memórias da Inclusão: entrecuzando passado e presente para fazermos um caminho diferente"....Como vocês viram pelo VII Seminário em Educação, precisamos dar mais atenção aos discursos, ao longo do tempo e na contemporaneidade, desfazendo-se preconceitos e estereótipos, enquanto quesionam-se relações mesquinhdas de poder na escola e sociedade. Além disso, quando discutirmos sobre como Vigotski compreendia a deficiência e a forma de tratamento dado a pessoas nessa condição, será de extrema importância que vcs tenham refletido sobre isso, a fim de fazermos um paralelo. Para nós, professores, o trabalho com narrativas individuais tem se colocado como parte integrante da formação continuada, por permitir a objetivação e a catarse.Conto com a colaboração de vcs para isso e agradeço a todos, que têm se dedicado a esse projeto, muitas vezes deixando de lado seus compromissos ou aumentando o corre-corre diário. Isso mostra que temos os mesmos sonhos: transformar coletivamente a educação!!! Aqui O cronograma das datas fica assim:
Junho: 14/06 e 28/06
Julho: recesso
Agosto: 02/08; 16/08 e 30/08
Setembro: 13/09 e 27/09;
Outubro: 04/10; 18/10 e 25/10
Novembro: 08/11; 22/11 e 29/11
Dezembro: 06/12 encerramento

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fotos do primeiro encontro





























Projeto de Extensão


Olá, amigos, o nosso próximo enconto do projeto de Extensão Vigotski e a Teoria Histórico-Cultural: subsídios teóricos e metodológicos para compreender a Deficiência Mental ocorrerá dia 14 de junho, numa segunda feira, das 17:30 às 19:00h. Já está no xerox da UEMS o texto para estudos referentes a esse encontro, intitulado Formação da consciência: um salto da evolução à revolução no comportamento humano. Procurem pelo material do projeto de extensão do giovani ou pelo título, acima mencionado. Creio que assim localizarão facilmente a pasta do nosso projeto. Não deixem de ler. Assim, nossos encontros, a partir de agora, ocorrerão sempre na segunda-feira, para não prejudicar ninguém. Qualquer dúvida, postem no blog ou me mandem um e-mail. Obrigado e desculpem-nos pelas mudaas. Queremos atender a todos, da melhor maneira possível. Um abraço....