A Sala multimeios ou multifuncional, outrora chamada apenas de sala de recursos, é um importante aliado na efetivação do processo de inclusão escolar. Por isso, não deve ser dispensada. Preocupa-me muito o fato de ainda se valorizar tão pouco esse espaço e mesmo sonegá-lo aos alunos com deficiência, pensando-se que apenas a presença de monitores na sala de aula regular já é suficiente. A sala de recursos multifuncional é que garante o sucesso da aprendizagem escolar e o desenvolvimento sócio-cognitivo desses alunos, dando-lhes, no contraturno, um suporte para que se apropriem dos conteúdos acadêmicos.
A verdadeira inclusão escolar não é aquela que só "acolhe", mas, sobretudo, aquela que proporciona condições de permanência com qualidde na escola e a continuidade dos estudos, pois, do contrário, não se precisaria dela (as outras instituições sempre fizeram essa "acolhida"). A escola, como sabemos, prima pela transmissão do saber historicamente produzido e acumulado, de modo sistemático e intencional. Nesse sentido, a sala de multimeios é a base para garantir aos alunos com deficiência ou transtornos globais do desenvolimento (não usem mais necessidades educacionais especiais, porque esse termo é tão amplo quanto vazio de sentido) a apropriação das funções psicológicas superiores, tais como o domínio sobre a memória, a atenção voluntária (concentração), a linguagem racional, a abstração, a generalização, a simbolização e o pensamento abstrato.
Para tanto, lembro, todavia, a necessidade de se estabelecer um diálogo franco entre professores da sala regular e da sala multimeios, buscando-se elaborar um plano de desenvolvimento cognitivo que contemple as reais dificuldades cognitivas/adapatativas dos alunos com deficiência, estimulando-se as funções psíquicas afetadas ou comprometidas, ao mesmo tempo que se busca identificar suas competências e habilidades para direcionar a atuação docente e combater um eventual sentimento de inferioridade, comum nesses casos, criando-se, assim, aquilo que denominamos de vias compensatórias para o desenvolvimento da personalidade.
Ressalto ainda o fato de que essa sala não deve ser um espaço para reforço escolar, pois não trabalha diretamente com conteúdos, e sim com a formação de processos intelectuais superiores (para a deficiência intelectual) pela via indireta, mediata, isto é, por meio de jogos, brincadeiras, desenhos, uso da informática, contação de histórias, dramatizações, discussão em grupo, reprodução/imitação de atividades cotidianas, músicas, uso de materiais concretos e coloridos, além de outras de estratégias metodológicas, sempre muito bem definidas pelo professor especialista e com objetivos bastante claros, em cada situação que este propõe.
Nisso reside o trabalho do atendimento educacional especializado para a Deficiência Intelectual, que, se levado a sério pelas isntituições escolares e iniciado o mais cedo possível, pode sim tornal uma realidade a aprendizagem escolar e o desenvolvimento cognitivo, línguístico e social de crianças com essa deficiência.