sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pessoas com deficiência: minhas memórias


Em toda a minha vida, estudei em escolas púbicas, onde era difícil ver uma criança com necessidade especial. Mas um dia, não me recordo em que série estava, uma garoa “diferente” entrou na minha sala. Viramos amigas. Ela tinha uma dificuldade na fala muito grande e seu desenvolvimento não era “igual” ao dos outros. Os professores também não se esforçavam para que fossem superadas suas dificuldades. Lembro que ela ia para o banheiro e ficava chorando por horas, pois os coleguinhas ficavam zombando dela. Era muito difícil e ela acabou saindo da escola. Uma vez, depois disso, eu a encontrei e ela me disse que estava com começo de depressão. Disse-lhe que não ligasse para o que os outros falavam, mas eu sabia que não era fácil para minha amiga simplesmente ignorar o preconceito dos outros.
Outra vivência que também tive com pessoas com deficiência foi com um surdo. Ele entrou em minha classe. Sabe, a gente se esforçava para transmitir a ele a explicação, pois na sala ainda se tinha intérprete. Assim, a gente ia escrevendo a explicação, mas, mesmo dessa forma, ele podia aproveitar muito pouco de tudo o que era visto em aula.
Hoje sei que ele terminou o Ensino Médio, mas, como nos diz, “não foi fácil”. Aprendeu muito pouco, pois os professores o ignoravam, fingiam que ele nem estava na sala, sendo que às vezes, quando queria perguntar algo, o professor simplesmente olhava para o outro lado...
Em toda a minha vida escolar, vi que a realidade para pessoas que têm algum tipo de deficiência não é fácil. Por isso, agora me interesso muito pelo assunto de inclusão, pois serei uma futura educadora e quero estar preparada para ajudar a todos que estiverem ao meu lado!!!!!

Memórias da Extensão

Minhas Memórias

Meu nome é C. N. M. S. Quando iniciei meu primeiro ano escolar eu tinha seis anos completos, e a professora que dava aula perto da minha casa estava precisando de mais uma aluna para completar uma turma de primeiro ano. Esta escola tinha alunos mistos do primeiro ao quarto ano.
Nós morávamos em um sítio no município de Guararapes, próximo de Araçatuba – Estado de São Paulo. Eram vários sítios e muitas fazendas de café. No sítio, meu pai era “retireiro”, isto é, “tirador de leite”. E, neste sítio, tinha uma família que tinha dois filhos, a Alice e o Ademar. A Alice ia para a escola, mas o irmão dela nunca ia e nunca estava com as outras crianças para brincar.
Esta escola tinha uma igrejinha e todos os filhos dos empregados dos sítios vizinhos iam para a escola, faziam catequese e iam à missa que se realizava uma vez por mês. Mas o Ademar não participava de nada, nem com seus pais na missa ou mesmo quando tinha alguma festa.
Perguntava para minha mãe por que ele só ficava em casa. Ela só dizia que ele tinha problemas de saúde, que desmaiava e, por isso, a mãe dele não o deixava ir para a escola, porque a professora não poderia cuidar dele, quando precisasse.
Isso foi no ano de 1960. Muitas vezes nós íamos com nossa mãe à casa da mãe do Ademar, a Dona Maria. Ela dava um jeito de levá-lo para o quarto e não o deixava nem brincar conosco. Ele era um menino de mais de sete anos; parecia não ter nenhum problema, embora não falasse direito. Andava e era um menino muito triste. É só o que lembro. Moramos quatro anos neste lugar. Depois, nunca mais soube do Ademar.
Muitos anos depois, quando eu já estava casada e com três filhas, que estudavam na Escola Adventista de Hortolândia, algo aconteceu que lembrou minha infância. Minha filha Raquel já estava na quinta série e nesta escola ela tinha um amigo, na mesma sala, com deficiência física. Este acompanhava a turma sem nenhum problema. Ele concluiu a oitava série como um dos melhores alunos. Lembro que minha filha e todos os colegas tinham muito carinho, admiração e respeito por ele.
Assim, em 1992, todos os formando da Escola Adventista prestaram uma linda e maravilhosa homenagem o querido amigo de turma, que até hoje, é muito lembrado. Continuou os estudos e ainda mora na região de Campinas, no Estado de São Paulo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Relato de uma prática pedagógica

Meu nome é Elis Regina Buarque (psedônimo). Durante algum tempo, fui professora de uma aluno com deficiência intelectual. Nos primeiros dias senti muita dificualdade em saber como trabalhar com ele dentro de uma sala de aula com 25 alunos. Então, comecei a fazer um prévio diagnóstico com professores e funcionários que estavam presente no seu cotidiano nos anos anteriores, investigando quais eram suas atitudes com o professor, como era dentro da sala de aula, o que mais gostava de fazer e quais eram suas HABILIDADES etc. Fiquei mais apavorada, pois eles me disseram que era agressivo com a professora, não gostava de ficar dentro da sala de aula e não fazia amizades. O que mais gostava era brincar na aula de educação física, quando era na quadra.
No decorrer desta prática, eu pude observar que os funcionários assumiam uma postura PATERNALISTA e de ASSISTENCIALISMO. Isso estava dificultando a relação do professor e o aluno e a socialização com as outras crianças. Aos poucos, fui conversando com eles e sugerindo atitudes desde a hora em que ele chegava até a saída. Comecei a trabalhar provocando situações que ele pudesse partilhar com outras crianças, já que ele tinha fala, visão...Ele não tinha, porém, coordenação motora para a escrita. Eu elaborava atividades em grupo, pensando nos seus limites e possibilidades e ele passou a ficar fora da sala basicamente só nos momentos em que todos podiam fazê-lo.
Tudo se tornou mais fácil. Ele adquiriu uma socialização com os colegas dentro da sala e fora, na hora do recreio e do lanche. A amizade com os funcionários se tornou formal. Em momento algum, me agrediu e permanecia na sala de aula normalmente. Exceto quando ele chegava com reação dos medicamentos e tinha necessidade de fazer atividade extra-classe com jogos que estimulassem sua auto-estima (sic!).
Acredito que a inclusão social é possível acontecer de forma correta, desde que os professores tenham apoio dos profissionais da escola, conheçam as potencialidades do seu aluno, tenham conhecimento do laudo médico ("não para rotular, mas para intervir!") bem detalhado e acreditem que ele pode ir além do que pensamos.
Ao término do ano, meu aluno havia adquirido autonomia para ir sozinho à biblioteca escolher o livro de sua preferência, mesmo que fosse apenas para interpretar as histórias por meio das ilustrações ou contada por outras pessoas. Ia ao banheiro sozinho, narrava sua história oralmente e gostava de participar nas atividades expositivas. Infelizmente, não consegui alfabetizá-lo nas leitura e escrita, mas fiz por ele o que estava ao meu alcance e acredito que, com mais tempo, ele pode aprender a ler e escrever, busacando-se novos recursos e estratégias pedagógicas.

Resultados da Avaliação realizada

Pessoal, fazendo a divulgação dos resultados da avaliação que vocês fizeram sobre o projeto:

Quanto à temática abordada (deficiência intelectual, de acordo com a Teoria Histórico-Cultural): 58,33 % consideram necessária para a práxis edcuacional
41, 67% consideram muito relevante para a práxis educacional

Quanto às metodologias usadas: 66, 67% avaliam como excelentes; 8,33% acham boas, mas poderiam ser melhor; 25% as consideram satisfatórias;

Quanto ao desempenho do mediador/ministrante: 58,33% avaliam como bom; 41, 67% consideram o desempenho do ministrante excelente;

Quanto às expectativas inicias em relação à proposta do projeto, 25% alegam que estas foram parcialmente atendidas; 75% alegam que foram atendidas;

Quanto à interatividade entre os participantes e o mediador: 41, 67% julgaram excelente; 50% avaliaram como boa e 8, 33% consideram satisfatória.

A avaliação foi respondida por 12 pessoas que participam ou participaram do projeto.

Memórias da Extensão: entrecruzando passado e presente para fazermos um futuro diferente

Voltando à Infância
Ao retomar a minha infância, buscando recordações referentes a pessoas com deficiência que conviveram comigo, veio-me à memória a minha prima Marilda¹. Naquela época, eu devia ter uns sete anos e, de repente, tive a notícia de que minha prima estava muito doente e não havia diagnóstico certo. Ela tinha então oito anos.
Depois de semanas internada no hospital desta cidade (Paranaíba), ela foi levada para São José do Rio Preto, onde foi constato que estava com meningite.
A sua recuperação foi lenta e, como morávamos em sítios vizinhos, todos os dias eu a via. Não demorou muito para que, com nossa perspicácia infantil, percebêssemos que Marilda não se comportava da mesma forma que antes.
A princípio tínhmanos paciência com ela. Éramos muitas crianças, mas, com o passar do tempo, essa paciência foi se esgotabndo e a gente se recusava a brincar com ela. Às vezes, fazíamos até com que chorasse e fosse contar para nossas mães.
Hoje, lembro-me com tristeza que sequer passava pela nossa cabeça ter paciência com aquela criança que, por vezes, era muito "lenta" e outras vezes ficava nervosa e chorava sem motivo algum. Seus gestos eram sempre repetitivos e ela era muito "carente".
Não consigo me lembrar de sua vida escolar, mas acredito que, com a professora que tínhamos à época, na área rural, com salas multisseriadas, não houve avanço algum.
Só me lembro dela deixando a escola, pois não conseguia aprender e, a partir daí, automaticamente, ela era excluída de quase tudo, como de festas de nossa juventude, passeios etc...
Hoje, ao recordar de minha prima, penso que muita coisa teria sido diferente se houvesse menos preconceito quanto à sua pessoa. Agora, Marilda tem 47 anos, vive com seus pais, que têm uma grande preucupação com seu futuro.
Memória escrita pela acadêmica L. R. A. S. para o projeto de Extensão Vigotski e a Teoria Histórico-Cultural : subsídios teóricos e metodológicos para compreender a deficiência intelectual.
"De"
A cidade em que morava era muito pequena, no interior de São Paulo. Foi nessa cidade que passei a infância e a adolescência. Quando tinha meus 8 anos, convivi com uma pessoa com deficiência intelectual. Era o Delamar², mais conhecido como "De". Sempre que eu brincava em minha vizinha, ele estava lá. Às vezes, ele tinha diversas crises e, para mim, era muito triste deparar com cenas nas quais eu o via gritando muito alto seu próprio nome. Eu não sabia o porquê daqueles gritos e de sua maneira de agir.
Sua mãe era calma e ele sempre estava junto dela, quando ela passeava ou fazia caminhada. Ele estava sempre com sua mãe. Quando eu era mais nova, tinha muito contato com ele: conversava, cumprimentava-o, mas na adolescência eu não o via tão frequentemente. Era difícil o dia em que eu o encontrava, até que, em minha férias da faculdade, sem querer, deparei-me com ele. E- que engraçado!- ele se elembrou de mim, dizendo-me um"oi" e o meu nome...


Memória da acadêmica D. A.

¹,² Os nomes apontados são fictícios e o nome dos participantes foi preservado, colocando-se as iniciais ou pseudônimo.

Dica Pedagógica!!!






Nas aulas de matemática ou mesmo no AEE você pode trabalhar o jogo de boliche ( ou qualquer outro) e realizar, com os alunos um registro de pontos em forma de gráfico, com a pontuação de cada um. Isso promove o desenvolvimento da abstração, das noções de quantidade (mesma, diferente, maior , menor), da comparação (por dados em relação) e da representação simbólica, além de ajudar os alunos com deficiência intelectual a compreender melhor as informações de um gráfico, forma de organização de ideias e dados com a qual se depararão bastante na cultura, já que é um signo culturalmemte elaborado pelo homem para organizar e visualizar de modo esquemático diversas informações. O gráfico deve ser feito inicialmente de forma concreta, com caixinhas de fósforo, por exemplo, com a quantitade de pontos de cada criança. Faça no papel pardo, sendo o eixo vertical a quantidade de pontos e o eixo horizontal o nome dos alunos (A, B, C no meu modelo). Esse modelo é um gráfico de colunas. Fica visível quem fez mais pontos, quantos a mais, a menos, etc. Depois, você terá condições de avançar para a generalização conceitual do que é gráfico, quais os outros tipos, o que ele representa, passando a usar a representação apenas desenhada, pois as crianças já vão ter facilidade para imaginar e ler o gráfico. Lembrem-se: primeiro o comportamento forma-se por procedimentos externos, por interações verbais e práticas entre pessoas, para, depois, internalizar-se como forma interiorizada de conduta. Por isso, a mediação de objetos, instrumentos e da linguagem é fundamnetal nesse processo!!!Aproveitem!!!