quarta-feira, 30 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Deficiência Mental e escola regular: contribuições da Psicologia Histórico-Cultural

Giovani Ferreira BEZERRA[1]
[1] Graduando do curso de Pedagogia, 4º ano, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade de Paranaíba, ex-bolsista de iniciação científica pela UEMS e CNPQ.

A recente inclusão de alunos com Deficiência Mental, nas escolas regulares, exige dos professores uma compreensão menos estereotipada ou preconceituosa sobre essa própria deficiência humana. Contudo, pela nossa vivência acadêmica, em cursos de formação de professores, e pela leitura de bibliografia especializada, constatamos que a maioria dos educadores ainda se sente despreparada para receber, nas salas de aula comum, alunos nessa condição, em virtude do conhecimento teórico escasso e confuso de que dispõem.
Sendo assim, percebemos a premência de se empreender um estudo mais sistemático sobre a Deficiência Mental e suas implicações para o cotidiano escolar. Para tanto, buscamos, nos procedimentos técnicos da pesquisa bibliográfica a sustentação metodológica para desenvolver nosso próprio projeto de investigação científica acerca dessa temática, denominado Vygotsky: alternativa teórica para estudos sobre a Deficiência Mental, realizado entre os meses de agosto de 2008 e julho de 2009. Durante esse período, o projeto teve o apoio financeiro da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e resultou em artigos, palestras e comunicações apresentados nessa mesma universidade.
Os objetivos da pesquisa, que tomou por base o referencial teórico da Psicologia Histórico-Cultural, foram: compreender o conceito de Deficiência Mental na sua relação dialética entre capacidades x incapacidades; entender os processos de aprendizagem e desenvolvimento intelectual das crianças com esta deficiência e propor alternativas e sugestões didáticas para a efetivação de uma práxis pedagógica inclusiva.
Os resultados a que chegamos podem ser assim sintetizados:
1. A Deficiência Mental não pressupõe apenas incapacidades e disfunções neurológicas, mas é uma condição orgânica complexa, que evidencia também habilidades muito particulares, tais como a inteligência prática, a memória natural e a psicomotricidade. A existência dessas habilidades revelam um caminho promissor, que pode sustentar, de maneira positiva e menos dolorosa, a inclusão de alunos com esse quadro clínico no Ensino Regular.

2. O conceito de Deficiência Mental não pode estar circunscrito aos déficits neurológicos individuais, chamados de primários na concepção vigotskiana. A sociedade, com suas práticas excludentes ou ainda superprotetoras, exerce um papel negativo em torno da pessoa com Deficiência Mental, agravando, num plano secundário, suas limitações intelectuais e psicológicas.

3. Como, na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, as funções mentais superiores constituem-se na relação dialética entre os sujeitos, sendo nestes internalizada e/ou elaboradas como processo intrapsicológico (individual) a partir da dimensão interpsicológica (vivência entre pessoas), o discurso do determinismo biológico das aptidões humanas perde sua velha autoridade. Em seu lugar, emerge uma interpretação oposta, que considera as possibilidades individuais de apropriação e experiência culturais como fator determinante para o quadro de Deficiência Mental, mais do que as eventuais disfunções do Sistema Nervoso Central (SNC).

4. A plasticidade cerebral e a contínua formação sistêmica do psiquismo humano sugerem que crianças com Deficiência Mental podem, apesar de suas restrições intelectuais, desenvolverem novas conexões no córtex cerebral, compensando assim os efeitos da própria deficiência. Nesse sentido, a aprendizagem escolar, orientada para interferir na Zona de Desenvolvimento Potencial de cada criança, pode ser um poderoso estímulo para o SNC.

5. A prática pedagógica precisa olhar mais atentamente para as habilidades e possibilidades de realização cognitiva dos alunos com Deficiência Mental, de modo que a sala de aula inclusiva seja um espaço de aprendizagens recíprocas, partilha de saberes, atitudes e competências. Uma alternativa para viabilizar tal prática é o trabalho com projetos temáticos e a adoção de propostas qualitativas para a avaliação do desempenho individual e coletivo nas atividades curriculares.

Diante dos resultados ora apresentados, percebe-se a relevância de nossa pesquisa, não só para nossa formação enquanto pesquisadores na área da Educação Inclusiva, mas também para toda a Academia e para os educadores da Educação Básica, que poderão encontrar em nossos estudos fundamentos teóricos e metodológicos consistentes para a fundamentação de sua própria práxis.

sábado, 26 de junho de 2010

Sala multimeios: um recurso para efetivar a Inclusão (Artigo de Opinião)

A Sala multimeios ou multifuncional, outrora chamada apenas de sala de recursos, é um importante aliado na efetivação do processo de inclusão escolar. Por isso, não deve ser dispensada. Preocupa-me muito o fato de ainda se valorizar tão pouco esse espaço e mesmo sonegá-lo aos alunos com deficiência, pensando-se que apenas a presença de monitores na sala de aula regular já é suficiente. A sala de recursos multifuncional é que garante o sucesso da aprendizagem escolar e o desenvolvimento sócio-cognitivo desses alunos, dando-lhes, no contraturno, um suporte para que se apropriem dos conteúdos acadêmicos.
A verdadeira inclusão escolar não é aquela que só "acolhe", mas, sobretudo, aquela que proporciona condições de permanência com qualidde na escola e a continuidade dos estudos, pois, do contrário, não se precisaria dela (as outras instituições sempre fizeram essa "acolhida"). A escola, como sabemos, prima pela transmissão do saber historicamente produzido e acumulado, de modo sistemático e intencional. Nesse sentido, a sala de multimeios é a base para garantir aos alunos com deficiência ou transtornos globais do desenvolimento (não usem mais necessidades educacionais especiais, porque esse termo é tão amplo quanto vazio de sentido) a apropriação das funções psicológicas superiores, tais como o domínio sobre a memória, a atenção voluntária (concentração), a linguagem racional, a abstração, a generalização, a simbolização e o pensamento abstrato.
Para tanto, lembro, todavia, a necessidade de se estabelecer um diálogo franco entre professores da sala regular e da sala multimeios, buscando-se elaborar um plano de desenvolvimento cognitivo que contemple as reais dificuldades cognitivas/adapatativas dos alunos com deficiência, estimulando-se as funções psíquicas afetadas ou comprometidas, ao mesmo tempo que se busca identificar suas competências e habilidades para direcionar a atuação docente e combater um eventual sentimento de inferioridade, comum nesses casos, criando-se, assim, aquilo que denominamos de vias compensatórias para o desenvolvimento da personalidade.
Ressalto ainda o fato de que essa sala não deve ser um espaço para reforço escolar, pois não trabalha diretamente com conteúdos, e sim com a formação de processos intelectuais superiores (para a deficiência intelectual) pela via indireta, mediata, isto é, por meio de jogos, brincadeiras, desenhos, uso da informática, contação de histórias, dramatizações, discussão em grupo, reprodução/imitação de atividades cotidianas, músicas, uso de materiais concretos e coloridos, além de outras de estratégias metodológicas, sempre muito bem definidas pelo professor especialista e com objetivos bastante claros, em cada situação que este propõe.
Nisso reside o trabalho do atendimento educacional especializado para a Deficiência Intelectual, que, se levado a sério pelas isntituições escolares e iniciado o mais cedo possível, pode sim tornal uma realidade a aprendizagem escolar e o desenvolvimento cognitivo, línguístico e social de crianças com essa deficiência.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Videos sobre Deficiência Intelectual

Nos anos 90, ainda no auge do Paradigma da Integração, a TV Escola divulgou alguns videos sobre a inclusão de crianças com deficiência intelectual na escola comum, como projeto-piloto. Esses videos, pouco divulgados, são excelentes e ricos em sugestões metodológicas, ajudando-nos a compreender melhor essa deficiência, apesar dos termos usados e da abordagem empregada. O link direciona para o domínio público. Acesem o video Def. Mental: ameaça ou oportunidade, dentre outros tantos disponíveis: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do
Quando a página carregar, escolha a opção video em tipo de mídia e TV escola/Educação especial na opção categoria. Em seguida, clique pesquisar e pronto, você acessará uma lista com muitos videos, inclusive sobre surdez e deficiência física.

Como fazer um jogo da memória?

Olá, quero contar a vocês como se pode fazer um jogo da memória, sem gastar quase nada e ainda promover o desenvolvimento cognitivo de alunos com deficiência intelectual ou dificuldades acentuadas de aprendizagem.
Pegue cerca de 30 caixas de fósforo, do mesmo tamanho. Assim, você terá 15 pares para serem formados no jogo. Encape as caixinhas com papel camurça ou outro qualquer da mesma cor e tom, para não viciar o jogo. Nas faces maiores, cole as figuras, como por exemplo de animais ou objetos. A cada 2 caixinhas, você deverá colar a mesma figura, sem nenhuma diferença. Para isso, procure figuras COLORIDAS na internet e faça cópias idênticas. Se o jogo for com animais, vc pode colocar um pouco de mamífero, de ave, de réptil, etc (duas vacas, duas galinhas, duas cobras, etc). Isso permite que, ao terminar o jogo, vc explore a classificação desses animais com as crianças, pedindo que separem as aves, os mamíferos, etc e expliquem o porquê da classificação. Na hora do jogo, as caixinhas devem estar embaralhadas, dispostas em colunas e com a face da figura voltada para baixo. O modo de jogar é o de qualquer outro jogo da memória, preferencialmente em duplas ou quartetos. Aproveite também para explorar a ideia de quantidade, quando encerrar o jogo, perguntando quem tem mais pontos, quantas caixinhas um tem a mais/menos que outro, quantos pares cada um fez, quantas caixinhas ao todo tem cada um, quantas peças tem o jogo....Essas iterferencias são cruciais para o desenvolvimento cognitivo da criança, nas séries iniciais e educação infantil. Esse jogo pode ser usado nas aulas de ciências, por exemplo, como estratégia para trabalhar a classificação dos seres vivos ou mesmo na sala de recursos, como um complemento aos assuntos que a criança deverá dominar na escolarização regular, mas sem a característica de reforço escolar. Outra variação é associar um objeto, animal, etc à escrita correspondente ou mesmo a quantidade ao número..O uso das caixinhas de fósforo, vale ressaltar, favorece a preensão da criança, que pode ter dificuldades na coordenação motora. Vc ainda pode, antes de encapar com o papel camurça e passar contact, preencher as caixinhas com papel, massinha ou outro material para torná-las mais resistentes e pesadas, tornando mais fácil os movimentos preênseis de alunos com paralisia, que costumam ter muitas dificuldades motoras Aproveitem!!!Que tal fazer um joga da memória com os jogadores da Copa, associando nome e figura? Ou instrumentos do futebol, como rede, trave, bola, chuteira, gramado, apito, jogador, juiz, etc..?!!!Experimente na sala de recursos...As crianças vão adorar....

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Mais dicas para promover o desenvolvimento cognitivo de alunos com DI

1) Na Educação Infantil e anos inicias , explore as brincadeiras de papeis e de faz de conta, porque promovem o desenvolvimento da imaginação, da simbolização, da abstração e da generalização, conceitos básicos para a aprendizagem escolar, além a emergência de uma linguagem mais elaborada. Isso ocorre porque a brincadeira é um momento de muita interação verbal entre as crianças, preservando-se o papel de mediador do professor.
2) Explore brincadeiras ou situações que levem à compreensão dos conceitos alto/baixo; em cima/embaixo; maior/menor; na frente/atrás; direita, esquerda, entre duas coisas/ passado, presente, futuro; mais/ menos; igual;diferente; primeiro/segundo....último. Isso é muito importante para a posterior aprendizagem da escrita, da matemática e ainda para a orientação espacial e temporal, facilitando apropriação de conceitos matemáticos, geográficos, históricos, gramaticais, etc. pela criança.
3) Trabalhe com narrativas visuais, para que a própria criança fale e recrie a história, desenvolvendo o raciocínio, a compreensão, a sequência de fatos e a oralidade (no caso da síndrome de Down, costuma haver dificuldades de fala).
4) Leve jogo da memória, para ajudá-la a desenvolver atenção, concentração e associação. Quebra-cabeças também são excelentes para estimular as funções cognitivas.
Mais dicas em breve. Acompanhe nosso blog e sugira outras dicas, com base em sua experiência.!!!! Abraço...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dicas para trabalhar com alunos com deficiência Intelectual

Escreva com cores diferentes na lousa para chamar atenção e facilitar a localização de informações pelo aluno;
Adote o princípio vigotskiano da coletividade heterogênea, isto é, forme grupos de alunos com diversas capacidades intelectuais;
Utilize atividade de duração curta ou média, evitando assim a saturação psíquica do aluno e o consequente desinteresse. Leve recursos com som, muitas imagens e permita que o aluno faça alguma coisa, em vez de só ouvir, como cartazes, recortes, paineis, dramatizações, jogos matemáticos para compreender as quatro operações...
Sistematize o conhecimento com estratégias metodológicas que estimulem a concentração e a atenção seletiva do aluno.Exemplo: na aula de História (ou qualquer disciplina), apresente figuras, músicas da época e prepare um texto-síntese, a partir do material em uso. Divida esse texto em várias tirinhas, com algum caracter especial diferenciando as tirinhas, sem repetir(cores diferentes, um coração, um quadrado, uma estrela, uma carinha)Entregue uma para cada aluno e diga a eles para ficarem atentos, pois vc pedirá que leiam o que está escrito na tirinha, conforme a ordem que só vc conhece ()tenha seu controle).Como eles não sabem quando serão chamados, ficarão atentos à sua aula. Vc pode fazer assim: quem estiver com a tirinha escrita na cor azul, pode ler..O aluno lê a informação (que deve ser breve) e vc puxa a discussão. Se o alunoi não lê, mas conhece as letras, peça a ele que soletre, enquanto a classe tenta adivinhar o que está escrito no papel dele. Se ainda não conhece as letras, coloque-o em grupo ou no caso de ter muitas dificuldades também! Desse modo, todos particpam da sua aula, sem vc deixe de ser aquele que detém o saber sistemático. Esses caracteres especiais são colocados para chamar a atençaõ do aluno e ajudá-lo a reconhecer cores, símbolos, signos e localizar informações, aprendendo a seguir instruções e perceber-se dos recursos gráficos. Ao final, vc propõe a elaboração de um painel, para colar as tirinhas e pergunta: quem falou primeiro, vcs lembram? Qual tirinha?E depois? O aluno pode se recordar dos signos, em vez da ideia: primeiro passo para a aprendizagem do conteúdo Assim, o conteúdo é revisado e o aluno engaja-se numa atividade de memorização mediada, além de aprender a sequência: primeiro, segundo, terceiro... e observar o texto reconstruído, com a colagem de todas as tirinhas. É uma forma de trabalhar também com a síntese de um conteúdo e deixar que os alunos falem, em vez só do professor. Os movimentos do cartaz, as tirinhas, as cores, os signos tornam mais fácil envolver o aluno com deficiência intelectual. Nessa atividade, estimule a comparação entre os atributos das tirinhas, mostre a importância de se lembrar a ordem das ideias para montar o painel, a fim de manter a coerência do texto (percurso argumentativo) e a forma de se fazer uma síntese.Se quiser, peça para numerarem as tirinhas, reforçando a sequencia numérica. Entregue algumas tirinhas já numeradas, para dar pistas, se quiser.